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eusoumaria



Feira do Livro em Porto Alegre e a mais linda mulher da cidade

 

 

 

Niko Stumpo

 

Acabo de chegar da Feira do Livro aqui de Porto Alegre, ou Poa (acho que já tenho a intimidade necessária com a cidade para chamá-la deste modo). A intenção inicial era dar uma olhadinha na Bienal do Mercosul, mas passei no Margs (Museu de Artes do Rio Grande do Sul) e não curti muito não. Aquele tipo de peça artística que é um palito de dente com a ponta pintada de vermelho em uma folha branca, sabe? Você olha, olha e não entende picas. Aí desencanei de ir até o Cais do Porto e à Usina do Gasômetro ver o resto. Na Feira anunciaram uma palestra com o Rubens Ewald Filho, mas eu acho esse cara um mala. Optei por aproveitar as banquinhas da Feira, que estavam bem ali debaixo do meu nariz. 

 

Impossível passar e não comprar. Teve um livro que eu lia escondido quando era criança. Chama-se Crônica de Um Amor Louco de Charles Bukowski. Era do meu irmão, que nunca emprestava livros e discos. Não por censura, era ciúme mesmo. Aí já viu, né? Proibiu, atiçou. Claro que Bukowski não é exatamente infanto-juvenil, mas não fez diferença pra mim.

 

O primeiro conto é A Mais Linda Mulher da Cidade e o mais lindo de todo o livro. Até hoje, antes dele voltar pras minhas mãos, eu me recordava de suas primeiras palavras: “Das cinco irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade.” Li  em alguns minutos e mesmo com os seus palavrões e erotismo (característicos do autor e que permanecem ao longo de toda a obra), achei a história de Cass e do seu romance como o narrador feioso tão poética, triste e linda que não titubeei em comprar o livro. Fizeram até um filme meio cult com essa história, com a belíssima italiana Ornella Muti. Nunca tive coragem de alugar. Fiquei com medo que me tirasse a lembrança melancólica e deslumbrante que eu tinha da mais bela das cinco irmãs. Fica a dica.

 

 

Outro livro bobinho que eu comprei foi a biografia da Jane Fonda. Estava no balaio de cinco reais. Adoro biografias! Com suas mentiras ou revelações picantes, adoro todas. Ela é tão bonita e fala-se tanta coisa (sua militância política, bulimia e o romance com o diretor comedor Roger Vadim), que achei que valeria a aquisição. Depois eu conto se é boa.

 

P.S. - (Atenção turista: Quando você acaba de ver, dá pra parar em uma espécie de bar e restaurante trilegal (esqueci o nome), que assim como a Feira tem um espaço delicioso ao ar livre. Tomar uma cervejinha observando a movimentação dos gaúchos pra lá e pra cá com suas sacolinhas. Depois dê uma passada Cais do Porto pra curtir o Rio Guaíba, de preferência no final da tarde. Vá por mim ;)

 

 

 

 

 

 



Escrito por Mônica Maria às 18h48
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Mais um Triste Ranking

Obra: Andy Warhol

 

Eu vi esta semana. Mais uma vez estamos mal na fita.

 

Brasil é 74º no ranking de igualdade entre os sexos

 

"O Brasil ficou em 74º lugar no ranking de igualdade entre os sexos elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, divulgado nesta quinta-feira (8). O país caiu sete posições em relação ao ano passado, mas o relatório ressalvou que a queda é devida à entrada de novos países na contagem.

Mais uma vez, os países nórdicos dominaram o ranking. A Nova Zelândia entrou no seleto grupo dos cinco países onde há menos desigualdade, e os Estados Unidos ficaram apenas em 31º lugar.

O país mais bem colocado da América Latina foi Cuba, em 22º lugar, seguido pela Colômbia (24º), pela Costa Rica (28º) e pela Argentina (33º). Cuba participou do ranking pela primeira vez, junto com outros 12 países estreantes.

 

 

Líderes

Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia mantiveram-se nos quatro primeiros postos do Índice de Igualdade entre os Sexos de 2007, divulgado na quinta-feira pela entidade suíça.


Fonte: Folha de São Paulo.

Eu me espando quando percebo quão difícil é, para algumas pessoas, desfazer-se de alguns valores da pedra lascada. O preconceito contra as mulheres no Brasil é igual ao preconceito contra o negro: velado, disfarçado e muitas vezes difícil de admitir. Antes que você me chame de feminista recalcada, vou logo dizendo que acredito piamente que homens e mulheres sejam diferentes.

Agora, se a gente faz o mesmo trabalho (e cada vez mais estamos fazendo, muito bem por sinal), porque temos que ganhar menos? Hein?! Porque na hora de pagar as contas, meu bem, o valor é o mesmo. Ou vou começar a exigir desconto da luz, do gás...

 

 

 



Escrito por Mônica Maria às 18h24
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O casório

 

Casar é...

 

Caro. Nossa, como é caro! Como assim, fotos de convites? Ai, vamos fazer mais de um modelo: esse pro pessoal t.f.p. e o outro pra galerinha do mal...hehe. Tem gente que gasta tudo isso pra uma festa de casamento? Nossa, mas dá pra fazer uma viagem internacional! Acha que vai valer a pena? Vai sim, amamos os nossos amigos e queremos compartilhar a alegria. É, tem razão.Tanto tempo que eu não vejo a minha família. Mas a senhora tá cobrando muuuuito caro mesmo. De agora em diante não digo mais que é pra casamento e tudo muda. Eu não sabia que tinha que alugar o espaço da festa também. Estava me sentindo um ET naquela degustação chiquérrima. Fui a única que foi sem o noivo e a moça achou que eu não queria casar coisa nenhuma e sim aproveitar a boca livre. Quanto você disse que é? Há há há! Tem gente que não tem noção do valor do dinheiro. Ao menos do meu. Olha, parece que achei um bufê razoável, não cobram o aluguel do salão, só por pessoa. Ufa, um problema a menos. Como assim, primeiro aluguel? Não, não sei como funciona, apesar de já ter feito milhões de matérias pra Noivas & Noivos. Pois é quando a costureira faz o vestido do jeitinho que vc quer, mas é aluguel do mesmo jeito. Fala rápido que eu tô trabalhando. E você acha que eu tenho tempo de me preocupar com casamento? Será que é isso mesmo que eu quero? Claro que é, um presente nosso para compartilhar, já falei. Afinal já estamos juntos mesmos. Tem certeza que quer ficar com um homem como eu, tão mais velho? Ué, já tive quatro anos pra pensar nisso. Já está pensadíssimo, porque iria mudar agora?

Então vamos adiante. Esse DJ aí eu contratei às cegas, que cheque pré-datado. E se for um golpista? E se sumir com a minha grana?

O bufê também foi às cegas. Que emoção.

Eu acho muito difícil fazer a seleção de músicas, é muita gente diferente junta. Dane-se, vou botar um monte de música que eu gosto e pronto. Se bem que tem a minha mãe, né? E aquele tio. Pensando bem, vou deixar a experiência do DJ entrar em ação. Se bem que eu fiz as matérias de noivas, pq agora não tô conseguindo?

Uma amiga pediu pra escrever o nome completo na barra do vestido. E disse que tinha que ser completo meeeesmo, pra não ter problemas com homônimas. Eu esqueci. Ela não gostou.

E pensar que eu saía correndo do buquê nos casamentos, na contra-mão do resto. Não dá mesmo pra cuspir pra cima.

Noivinhos de bolo? Quanta futilidade...Pára com isso, casamento é legal. Hm. Ai, que fofos esses noivinhos de bolo! Mas moça, eu quero um de cabelos grisalhos. Gri-sa-lhos. Já andei essa rua inteira. Achei um!!! O único!

Guarda pra mim, pelamordedeus!!!!

Acho que uma guirlanda de flores naturais vai ficar show!

Porque a gente quer casar no templo budista? Porque eu sou budista, oras. Embora não pareça. Desde 2001. Ele não é. Torceu o pé na meditação.

Meu Deus, que nervoso! Não sei qual o motivo. A família toda, seria tão legal se meu pai e meu irmão estivessem vivos pra ver isso. Deu vontade de chorar, mas olha só o povo. Lagriminha, pode voltar pra dentro. Não vou dar vexame. Mais uma rodada de saquê e eu fico bebinha. Que merda de trânsito. Quanta gente olhando a noiva dentro do taxi.

Agora o que eu quero é chapar o coco e dar risada. Estar com os amigos, achar graça das músicas de casamento. Convidaram um pessoal que fica dançando "de passinho"! Há há há!

Quanta gente me surpreendeu. Pro bem e pro mal.

Estou realmente feliz. No fundo, acho que a graça da vida está nas efemérides. Se for parar pra pensar, na verdade não há amanhã, lembra? E ataquei na musiquinha dos anos 70.

 

Obra: Estudio Vasava - Barcelona



Escrito por Mônica Maria às 15h14
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